Plano Educacional de Brasília
O Plano das Construções Escolares de Brasília, da lavra do Professor Anísio Teixeira, foi elaborado de forma articulada ao plano urbanístico da cidade, definindo as diretrizes básicas para a implantação de um modelo de educação inovadora para a nova capital. A concepção desse plano, em observância aos preceitos contidos no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, negava a “velha estrutura do serviço educacional, artificial e verbalista” e propunha uma educação que priorizasse o raciocínio, o fazer, a autonomia de pensar e agir, a experimentação. Duas premissas distinguiam a escola pensada por Anísio Teixeira das escolas tradicionais: a necessidade do homem indagar e resolver por si os seus problemas e que se reconhecesse como integrante de um mundo em transformação.
A implantação do plano de educação em Brasília ficou sob a responsabilidade do Dr. Ernesto Silva, diretor da NOVACAP nas áreas de saúde e educação (1956/1961). Teve atuação destacada como médico e secretário da “Comissão de Localização da Nova Capital do Brasil”(1953/1955) e, posteriormente, presidente da “Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal” (1956) e conselheiro da Fundação Educacional e da Fundação Hospitalar do DF (1960/1961).
O Plano de Construções Escolares de Brasília previa atendimento escolar em diferentes níveis: elementar, médio e superior, para funcionarem de forma integrada. Este portal trata do que, atualmente, se concebe como educação básica, ou seja, do início do processo de escolarização ao final do ensino médio.
O Plano de Construções Escolares de Brasília calculava uma população escolarizável entre 2.500 a 3.000 habitantes em níveis elementar e médio. Para cada superquadra, previa-se o estabelecimento de um jardim da infância com quatro salas, para, em dois turnos de funcionamento, atender a 160 crianças (oito turmas de vinte crianças) e de uma escola classe com oito salas, para, em dois turnos, atender a 480 crianças (16 turmas de trinta alunos).
Previa-se ainda, a cada quatro quadras, a construção de uma escola parque, destinada a atender, em dois turnos, com cerca de dois mil alunos oriundos das quatro escolas classe das quadras vizinhas. As atividades propostas orientavam para a iniciação ao trabalho, para meninos e meninas de 10 a 14 anos, em pequenas oficinas de artes industriais, além da participação dirigida dos alunos de 7 a 14 anos em práticas artísticas, sociais e de recreação. Com frequência diária na escola parque, existia um regime de revezamento com o horário das escolas classe, isto é, quatro horas nas classes de educação intelectual e outras quatro nas atividades da escola parque, com intervalo para almoço.
O Plano Educacional de Brasília foi elaborado com os seguintes objetivos:
- Distribuir eqüitativa e eqüidistantemente as escolas no Plano-Piloto e Cidades-Satélites, de modo que a criança percorresse o menor trajeto possível para chegar à escola, sem interferência com o tráfego de veículos, para comodidade e tranqüilidade de pais e alunos;
- concentrar as crianças de todas as classes sociais na mesma escola (democratização);
- possibilitar o ensino a todas as crianças e adolescentes;
- romper com a rotina do sistema educacional brasileiro, pela elaboração de um plano novo, que proporcionasse à criança e ao adolescente uma educação integral;
- reunir, em um só centro, todos os cursos de grau médio, permitindo-se maior sociabilidade aos jovens da mesma idade que, embora freqüentando classes diferentes, tivessem em comum atividades na biblioteca, na piscina, nos campos de esporte, nos grêmios, no refeitório, etc.
- facilitar o ensino particular, com fixação de áreas para externatos e internatos, vendidas a preço muito baixo, com pagamento facilitado (até através de bolsas de estudo).
A escola era concebida como um centro de preparação para a vida moderna, oferecendo oportunidades à criança e ao adolescente para viverem uma civilização técnica e industrial, sempre em mutação, além de educação sanitária, fornecia alimentação à criança e fazia a profilaxia das doenças. Para atender às múltiplas funções, o dia letivo escolar seria integral e contaria com recursos tecnológicos como a televisão, o rádio e o cinema.
As Escolas Parque destinavam-se a completar a tarefa das escolas classe mediante o desenvolvimento artístico, físico e recreativo da criança e sua iniciação ao trabalho, por uma rede de instituições ligadas entre si, dentro da mesma área, com biblioteca infantil e museu, pavilhão para atividades de artes industriais, conjunto para atividades de recreação, conjunto para atividades sociais como música, dança, teatro, clubes, exposições, dependências para a administração e refeitório.
A educação média seria ministrada nos Centros de Educação Média aos jovens de 11 a 18 anos. Estes Centros teriam a capacidade para abrigar 2.700 a 3.500 alunos, em conjunto de edifícios, destinados a atender a Escola Média Compreensiva, incluindo cursos acadêmicos, técnicos e científicos; o Centro de Educação Física com quadras cobertas, piscina coberta, campos de futebol, pista de atletismo, quadras de vôlei e basquete, quadras de tênis; o Centro Cultural, com auditório para teatro, cinema, exposições, clube dos alunos; a Biblioteca e o Museu; a Administração e o Restaurante. Cada Centro de Educação Média teria com dez edifícios e uma área para atividades esportivas ao ar livre. Os edifícios serviriam ao curso ginasial, cursos clássico e científico, curso comercial, curso industrial, curso normal, centro cultural, centro de educação física, biblioteca e museu, administração e refeitório.
