Anísio Teixeira
Idealizador do modelo de educação inovadora de Brasília, implantado no período da fundação da cidade, o professor Anísio Teixeira é uma referência na história da educação brasileira. Como intelectual e homem público, merece reconhecimento por suas valiosas contribuições ao pensamento educacional e pelas ações transformadoras que implementou em favor da democratização da educação. Consagrou-se por suas ideias em defesa do direito à educação e contra os privilégios eternizados pelas elites, que conservavam a instituição escolar exclusivamente para um grupo restrito de eleitos, em detrimento da maioria do população, relegada ao analfabetismo.
Embora graduado em Direito, profissão que não chegou a exercer, Anísio Teixeira, aos 24 anos, já exercia o cargo de Inspetor Geral do Ensino na Bahia, que lhe despertou o interesse pela educação. Na busca de aperfeiçoar seus conhecimentos na área, viaja para a Europa e os Estados Unidos, país onde, posteriormente, obteve o título de “Master of Arts no Teachers College”, na Universidade de Columbia. Influenciado pelas teorias de John Dewey, no seu retorno ao país, torna-se o maior defensor de suas ideias. Em 1929, convidado a assumir o cargo de diretor da Diretoria da Instrução Pública da Bahia, promove inovações que o tornaram nacionalmente conhecido. Com aguçada capacidade de observar e diagnosticar necessidades, propôs para o seu estado natal um sistema de escolas públicas, gratuitas, para todos os níveis.
Em função do ideal que defendia, Anísio Teixeira integrou-se ao grupo dos intelectuais que pleiteavam a transformação da sociedade por meio da educação, tornando-se membro ativo da Associação Brasileira de Educação. Em 1932, é um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, que propunha um programa de reconstrução educacional no Brasil.
Na década de 1930, designado Secretário da Educação do Rio de Janeiro, desenvolve programa de construção de escolas, promove experiências educacionais com metodologias inovadoras e realiza ampla reforma na rede de ensino integrando o ensino primário até a universidade. Funda, em 1935, a Universidade do Distrito Federal, que preceitua como um modelo nacional de educação superior. Por suas posições em favor da escola pública, sofre perseguições, sendo atingido por pressões políticas contrárias à sua atuação, vindas, principalmente, de intelectuais vinculados à Igreja Católica. Acusado de comunista, demite-se do cargo e volta para a Bahia, permanecendo, na sua cidade natal afastado da vida pública, entre os anos de 1937 e 1945.
No ano de 1946, ocupa a função de conselheiro da UNESCO e, em seguida, é indicado para o cargo de Secretário da Educação e Saúde da Bahia. Ao retornar para Salvador, cria o "Centro Educacional Carneiro Ribeiro", conhecido como Escola Parque da Bahia, na Liberdade, bairro mais populoso e pobre da capital baiana. Em sua concepção pedagógica, o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, composto por Escola Parque e Escola-Classe, atendia a demanda de preparar a criança para a vida moderna e, sobretudo, para uma sociedade em mudança.
O modelo de educação adotado seguia modernas teorias educacionais que embasavam o currículo escolar, composto por diferentes áreas de conhecimento, como leitura, aritmética, escrita, ciências físicas e sociais, artes industriais, desenho, música, dança e educação física visando a formação do indivíduo para a civilização técnica e industrial.
Criador e diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, INEP, atuou nessa instituição a partir de 1952, onde criou órgãos de pesquisas e desenvolveu iniciativas para a formação do magistério nacional. Como diretor do INEP, elaborou o Plano das Construções Escolares de Brasília e, juntamente com Darcy Ribeiro idealizou a Universidade de Brasília, da qual foi reitor até 1964, ano em que, mais uma vez, foi afastado da vida pública em virtude de um golpe de estado comandado por militares. Após um período de exílio nos Estados Unidos, volta ao Brasil e, apesar das restrições impostas pela governo militar, candidatou-se a uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Nessa ocasião, no início de 1971, seu corpo foi encontrado em um fosso de elevador, sem os sinais característicos de queda violenta, o que levantou suspeitas de tratar-se de atentado por motivações políticas.
